Dia desses, uma amiga fez 43 anos. Em seu agradecimento, ela pediu que vivesse, pelo menos, mais o dobro de tempo. Na hora deu um estalo na minha cabeça. Realmente ela ainda tem a oportunidade de viver ou reviver sua vida todinha. Como ela tem uma preciosidade nas mãos. Ou não, já que não sabemos o dia de amanhã. E, justamente essa dualidade, a possibilidade ou não de termos mais tempo, que o torna tão precioso.
No momento em que li a mensagem dela, veio um filme na minha cabeça. Tudo que já vivi até hoje, nos meus quase 39 anos. Vieram lembranças da minha infância, trechos da minha adolescência, flashes da minha juventude, e de como já estava me sentindo caminhando para a meia idade (o que não deixa de ser uma verdade, já que o significado é a "época da vida entre a maturidade e a velhice, aproximadamente entre os 40 e os 55 anos").
Na verdade, o significado continua o mesmo. O que mudou foi a sensação. A meia idade me parecia velhice. Agora me lembra rejuvenescimento. A oportunidade de fazermos o que gostaríamos de ter feito anteriormente, mas acabamos enterrando em nosso interior. Seja por parecer futilidade, loucura, ou, simplesmente, por não ter tido tempo. Não ter tido tempo porque tínhamos que estudar, pra arranjar emprego. Não ter tido tempo porque tínhamos que trabalhar, pra conseguir dinheiro e adquirir casa, carro, sustentar família. Não ter tido tempo porque, ao achar que não conseguiríamos fazer muitas coisas que antes tínhamos vontade, gastamos ele nas redes sociais, vendo o tempo que os outros estão aproveitando, seja fazendo o que queriam fazer, seja fingindo fazer o que queriam fazer.
Não estou dizendo que é errado estudar, arrumar emprego, ter bens. Mas sim, que o tempo dedicado a isso não lhe seja sinônimo de que teve que abrir mão de realizar algo que você gostaria de ter feito e teve que enterrar. Use cada segundo de sua vida com atitudes que façam você chegar aonde quer chegar. Não desperdice. Mas, se acha que o tempo esvaiu das suas mãos ao longo do caminho, acalme-se. Você ainda tem tempo. Aproveite que a maturidade lhe deu sabedoria e faça sua vida valer a pena. E não digo que precisa fazer coisas extraordinárias. São coisas singelas do nosso dia a dia. Se o que você quiser fazer lhe fizer bem e não fizer mal a ninguém, não tenha medo. Faça. Use o tempo para isso. Acumule riquezas afetivas, lembranças memoráveis, laços. Faça o que lhe aqueça o coração.

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